Antes de prosseguir com os temas da semana anterior, impõe-se um pequeno desvio para observar uma situação real, recorrente e que me parece preocupante.
Muitas das empresas que me consultam para assessorar o processo de internacionalização, têm uma percepção distorcida do tempo e custo de expansão internacional. É frequente pedirem-me uma solução com resultados em 6 meses ou até menos. A situação em Portugal está má e as empresas parecem querer realizar, num par de meses, aquilo que eu ando a recomendar há mais de uma década. Um processo de internacionalização bem sucedido não é como a musse de chocolate Alsa…é algo que demora tempo a preparar e consome muitos recursos da empresa.
Recentemente, um cliente italiano (que acabámos por declinar), queria que gerássemos ‘leads’ no Brasil, em tempo recorde. Eu conheço bem o setor e tinha grande facilidade em sentar a empresa à mesa com potenciais clientes locais. Mas na hora de responder a perguntas como:
. Quem são os vossos representantes no Brasil? Se eu tiver problemas com a tecnologia a quem recorro?
. Quais são as vossas vantagens em relação ao fornecedor local que tenho ao virar da esquina?
. De que forma a vossa oferta pode ser mais competitiva do que a dos fornecedores locais (mesmo com os impostos)?
Sei que a empresa italiana ia titubear, não iria conseguir responder de forma sustentada e iria queimar o próprio nome no mercado (e o meu por consequência).
Insisti que o processo fosse executado de acordo com a metodologia que preconizo, sendo que, de outro modo, não poderiam contar comigo para o fazer. Não me sentiria de consciência tranquila se conduzisse um cliente por um caminho estéril, mesmo que me pagassem bem para o fazer. Não é fácil rejeitar uma oferta de remuneração fixa por um trabalho (especialmente nos dias que correm), mas foi o que acabou por acontecer.
Isto para dizer que, é fundamental que as empresas tomem consciência que a entrada num novo mercado geralmente não acontece porque alguém conhece alguém. Para que seja um projeto sólido, é necessária uma preparação prévia da empresa e dos seus produtos, às condições específicas daquele mercado destino. Isso pode passar por adequar os materiais de comunicação, por estabelecer parcerias com empresas locais, por avaliar detalhadamente a concorrência local, etc.
Eu não sou um homem de cátedra, sou um homem de acção, mas reconheço que é fundamental realizar alguma avaliação prévia do mercado almejado, porque caso contrário corremos o risco de parecer demasiado ‘faixa branca’ nas negociações e, como diz o meu Pai, nunca há uma 2ª oportunidade de criar uma boa 1ª impressão.

