segunda-feira, 25 de junho de 2012

Quick note sobre internacionalização instantânea

Antes de prosseguir com os temas da semana anterior, impõe-se um pequeno desvio para observar uma situação real, recorrente e que me parece preocupante.
Muitas das empresas que me consultam para assessorar o processo de internacionalização, têm uma percepção distorcida do tempo e custo de expansão internacional. É frequente pedirem-me uma solução com resultados em 6 meses ou até menos. A situação em Portugal está má e as empresas parecem querer realizar, num par de meses, aquilo que eu ando a recomendar há mais de uma década. Um processo de internacionalização bem sucedido não é como a musse de chocolate Alsa…é algo que demora tempo a preparar e consome muitos recursos da empresa.
Recentemente, um cliente italiano (que acabámos por declinar), queria que gerássemos ‘leads’ no Brasil, em tempo recorde. Eu conheço bem o setor e tinha grande facilidade em sentar a empresa à mesa com potenciais clientes locais. Mas na hora de responder a perguntas como:
. Quem são os vossos representantes no Brasil? Se eu tiver problemas com a tecnologia a quem recorro?
. Quais são as vossas vantagens em relação ao fornecedor local que tenho ao virar da esquina?
. De que forma a vossa oferta pode ser mais competitiva do que a dos fornecedores locais (mesmo com os impostos)?
Sei que a empresa italiana ia titubear, não iria conseguir responder de forma sustentada e iria queimar o próprio nome no mercado (e o meu por consequência).
Insisti que o processo fosse executado de acordo com a metodologia que preconizo, sendo que, de outro modo, não poderiam contar comigo para o fazer. Não me sentiria de consciência tranquila se conduzisse um cliente por um caminho estéril, mesmo que me pagassem bem para o fazer. Não é fácil rejeitar uma oferta de remuneração fixa por um trabalho (especialmente nos dias que correm), mas foi o que acabou por acontecer.
Isto para dizer que, é fundamental que as empresas tomem consciência que a entrada num novo mercado geralmente não acontece porque alguém conhece alguém. Para que seja um projeto sólido, é necessária uma preparação prévia da empresa e dos seus produtos, às condições específicas daquele mercado destino. Isso pode passar por adequar os materiais de comunicação, por estabelecer parcerias com empresas locais, por avaliar detalhadamente a concorrência local, etc.
Eu não sou um homem de cátedra, sou um homem de acção, mas reconheço que é fundamental realizar alguma avaliação prévia do mercado almejado, porque caso contrário corremos o risco de parecer demasiado ‘faixa branca’ nas negociações e, como diz o meu Pai, nunca há uma 2ª oportunidade de criar uma boa 1ª impressão.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Processo de expansão internacional começa em casa

Uma das coisas em que tenho insistido ao longo dos anos, com os meus clientes e alunos, é que o processo de internacionalização de uma empresa começa por dentro. Internacionalizar, para muitos empresários, soa logo a grandes viagens de prospeção a países exóticos!
- Vamos 15 dias para a Indonésia, analisar o mercado das cestas de vime! Cheira-me que tem um enorme potencial!
Nada podia estar mais longe daquilo que eu preconizo. Para mim a internacionalização começa por uma análise rigorosa da própria empresa.
Defini 5 elementos chave, que devem ser analisados antes sequer de começar a olhar para o mercado externos – os 5 ‘P’s necessários para o setup do processo de internacionalização:
  1. Produtos: Implica conhecer bem o nosso produto vis-á-vis os mercados internacionais. Exemplos de perguntas que devem ser respondidas:
    1. Que tipo de produto é o nosso? É uma commodity, ou um produto world-class? Qual a atual capacidade de produção? O mercado interno consome toda a minha produção? Estou disposto a investir no aumento da minha capacidade? – são questões que irão influenciar a seleção do mercado destino, por exemplo.
    2. É um produto per se, um serviço ou um produto com serviços associados? Quais os serviços de pré e pós venda que o produto requer? – quando eu estudava estas matérias, os meus professores diziam que os serviços não se internacionalizavam (apesar de alguns exemplos existentes na época). Hoje em dia isso já não é bem assim. Muitas pessoas vêem falar comigo sobre a internacionalização das suas empresas de serviços e a minha resposta é sempre a mesma: Internacionalizar serviços é geralmente mais difícil, mais demorado e mais caro, por isso, na medida do possível, tentei ‘produtizar’ a vossa oferta. Construam um produto inovador em cima dos vossos serviços, ou entrem com um modelo de negócio inositado e que funcione especialmente bem no mercado almejado. A verdade é que, um serviço barato e cuja promoção/venda (até prestação do serviço) esteja suportada na internet, pode ser um enorme sucesso a nível internacional.
  2. Pessoas:
  3. Processos:
  4. Planeamento:
  5. ….Pilim:
Já que me alonguei mais do que previa logo no primeiro ponto, a bem da sanidade mental do(a) leitor(a), vou continuar a torpedea-lo(a) somente no próximo post.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Uma caminhada de 1.000 km começa com o 1º passo


Ao longo dos últimos 12 anos tenho trabalhado com diversas empresas no seu processo de internacionalização. Liderei o processo de entrada em novos mercados de algumas PMEs nacionais, mas também trabalhei como assessor de expansão internacional de gigantes como a Portugal Telecom e a ANA – Aeroportos de Portugal.

A minha experiência ensinou-me duas coisas:
  1. Ausência de metodologia: O processo de internacionalização das empresas portuguesas (grandes ou pequenas) não é encarado de forma metedológica e muitas vezes é executado com erros de palmatória que saem muito caros às empresas e (pior) desmotivam os empresários dos projetos internacionais;
  2. Problemas comuns a todos: As falhas/problemas que as empresas pequenas encontram, não são muito diferentes das empresas grandes (a diferença é que geralmente as grandes podem manter o investimento internacional até conseguirem resolver os problemas, enquanto as pequenas não). As PMEs, por não poderem dar-se ao luxo de manter uma aposta num país por tempo indeterminado até funcionar, recorrem a práticas de expansão internacional porventura mais eficazes do que as empresas grandes e, como tal, são melhores exemplos de boas práticas.
Os objetivos principais deste blog, são 3:
  1. Facultar método: Fornecer uma estrutura metodológica, especialmente orientada para a realidade das empresas portuguesas, que permita ajudar os nossos empresários no seu processo de internacionalização;
  2. Alertar para erros recorrentes: Identificar o erros/problemas recorrentes que tanto as grandes como a PMEs encontram no processo de internacionalização e que acabam por sair quase sempre muito caros;
  3. Ilustrar com exemplos: Contar episódios que, pelo seu aspeto caricato, podem servir de exemplo do que fazer e do que não fazer na internacionalização das empresas portuguesas.
Em cada semana, escreverei um pequeno artigo com dicas que me parecem importantes, para ajudar a preparar os nossos empresários e o nosso país, para os desafios da internacionalização.
Tema da próxima semana: Arranque do processo de internacionalização – os 5 ‘P’ da empresa